Um estigmatino extraordinário.
Viveu profundamente o lema do Fundador “Ide a qualquer lugar na diocese e no mundo". Desbravou Brasil e China. Trabalhou na Itália e nos Estados Unidos. Rodou o mundo numa época em que viajar era muito difícil.
Até poucas semanas antes de ser internado no hospital, com a idade de noventa anos, Pe. Henrique conservou per-feita lucidez mental, vivacidade admirável e serenidade de espírito.
Além do trabalho pastoral fez um bem imenso escrevendo crônicas. Elas foram o despertar de muitas vocações mis-sionárias.
Nasceu em São Máximo (Verona), no dia 16 de novembro de 1883. Aluno da escola dos Estigmas em Verona, entrou como aspirante ao sacerdócio no dia 02 de novembro de 1897. Como religioso estigmatino, emitiu a profissão per-pétua no dia 25 de janeiro de 1905. Foi ordenado sacerdote no dia 21 de dezembro de 1907.
Depois de alguns anos de ministério, na Itália, no ano de 1910 Pe. Henrique aceitou a missão de concretizar uma fun-dação estigmatina no Brasil. Escreveu um diário dos anos vividos no Brasil. É muito precioso por mostrar o estilo de vida, o espírito de sacrifício e o ardor apostólico dele e de seus companheiros.
Pe. Adami não era afeito à atividade metódica e planejada. Na verdade, quando o trabalho no Brasil estava bem enraizado, e já se vislumbrava um seminário, ele foi atraído por um novo ideal. Em 1925, sabendo do plano corajoso de se abrir uma missão na China, Pe. Henrique foi para lá.
Voltando da China em 1935, como representante dos missionários ao Capitulo Geral, não se sentia mais em condições físicas de retornar àquele país. Todavia, não lhe faltava nem fantasia, nem energia. Mais uma vez olhou para longe. Partiu para os Estados Unidos, onde fez uma série de pregações em nossas paróquias e outras comunidades, que abrigavam muitos imigrantes italianos.
Terminada a última guerra em 1946, envelhecido e desejoso de descanso retornou para a pátria. Contudo, sua paixão missionária encontrou novo campo de trabalho a serviço da Igreja. Durante 15 anos dedicou-se à pregação e animação missionária.
A paralisia, que o impediu de trabalhar em campo aberto, deixou-lhe, porém, completa lucidez espiritual. Esperou confiante, com o conforto da celebração da missa e da fraterna amizade dos confrades, a hora de encontrar-se com o Pai.
Pe. Henrique tinha um caráter forte igual à sua compleição física, que não conhecia limites ou oposição. A expressão de linguagem era colorida e viva, a resposta pronta e espirituosa, ainda que nem sempre delicada. Mostrava sentimento de serena alegria que usava nas conversações e nas atividades apostólicas, cumpridas sempre com fidelidade e disponibilidade generosa.
Deixou-nos um precioso legado, traçando com beleza e in-tuição profética os primeiros sulcos do trabalho estigmati-no de além mar.
Quem foi Pe. Henrique Adami?
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